Eu tenho um defeito, dentre todos os outros, que ultimamente está me trazendo grandes problemas: a tal da criação de expectativas.
Talvez por ter um mundo particular onde todas as coisas acontecem de acordo com o que eu acho que deve acontecer, eu acabo transmitindo essa parcela de irrealidade pro mundo de verdade, onde todo mundo pensa do seu jeito, não importa o quanto eu queira que as coisas sejam diferentes.
E eu sofro com isso. Muito.
Pra mim, as coisas deveriam acontecer como nos filmes: se você quer muito alguma coisa, e você realmente se esforça para tê-lo, você consegue, e todo mundo fica feliz. Ou então, quando decidir a maneira como você gostaria de ser pedida em casamento (sim, porque eu já pensei nisso também), as coisas acontecessem sem você precisar dar nenhuma dica, como se a outra pessoa te entendesse tão bem que iria descobrir sozinha a hora e a maneira de fazer isso.
Mas não, claro que não. O que é a vida sem um pouco de amargura pra dar um sabor especial?
Nos dias em que você estiver se sentindo deslumbrante e feliz, alguma coisa vai acontecer pra que você se questione e volte a ocupar seu lugarzinho medíocre no mundo.
E quando achar que está tudo uma droga e que nada mais faz sentido, você vai descobrir que as coisas não fazem sentido mesmo, e que é melhor você se acostumar com isso, porque a vida não é justa.
E, apesar de saber de tudo isso, eu continuo sendo uma sonhadora sem remédios, e continuo acreditando que as pessoas podem ser melhores do que elas são, que as situações não são tão ruins quanto parecem, e que tudo, no fundo no fundo, faz sentido.
Isso porque, se um dia eu parar de sonhar - e, consequentemente, de criar expectativas -, tenho certeza que não vai mais existir alma de mim, e aí, hum, aí já será tarde demais.
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