sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Mil anos depois

Todo o reino sabe que, devido a alguns acontecimentos nada memoráveis na vida pessoal da personagem que vos fala, ela tenho medo de pessoas e de suas intenções. Mesmo que ela pareça ser uma pessoa aberta a novas experiências, ela nunca dá oportunidades de verdade, e sempre procura 1001 defeitos em todos aqueles que tentam se aproximar do cômodo afastado do castelo, criando uma cortina de ferro que a separa dos sentimentos de verdade.
Aparentemente ela está sempre presente no pátio da fonte, cantando, dançando e recebendo seus convidados com uma alegria sem igual, mas, curiosamente, ela está sempre sozinha. Acha que é mais seguro assim.
Até que uma hora ela começa a dar ouvidos às sábias senhoras que insistem em dizer que compartilhar a vida pode ser legal, pode acrescentar coisas boas, e que tbm dá pra ser feliz assim.
Nesses raros momentos ela abro uma brecha na cortina, e dá uma espiadinha pra ver o que está acontecendo fora de seu reino.
Curiosamente, sempre tem um ilusionista que se aproveita desse micro espaço, e começa a fazer coisas grandiosas pra chamar sua atenção, quem sabe com o objetivo de ser convidado pra entrar. E ela começa a achar interessante a mágica que ele possui e que sabe usar tão bem, e abre mais um pedacinho da cortina. E outro, e outro, e assim sucessivamente.
Às vezes até abre a janela, pra enxergar de um angulo mais amplo é verificar se se trata apenas de mais um viajante; também acontece de abrirem a mesma janela à força, o que sempre causa dois resultados: ou ela se assusta e fecha tudo de vez, ou eu acho interessante, limpo os estragos e mantenho uma frestinha aberta.
Até que chega o momento em que eu acho prudente convidar o ilusionista pra entrar, não pela porta dos fundos, às escondidas (isso é fácil, ninguém repara nas portas dos fundos), mas pela porta da frente, pra todo mundo ver que a porta está sendo aberta.
Mas o ilusionista da vez não entende que a porta é fechada a 7 chaves e quase nunca é aberta; o ilusionista não entende que, quando a porta se abre, é uma situação única que deveria ser aproveitada; o ilusionista nao entende que passar pela porta pode levá-lo a um universo paralelo que nem se imagina que existe. O ilusionista se acostuma com a visão da janela, e quando a porta abre, decide não entrar, decide se contentar apenas com o que já existia antes.
Mas essa escolha não existe. Uma vez que a porta é aberta, a janela se fecha com a mesma cortina de ferro de outrora, que seria usada agora para proteção contra futuros ilusionistas e suas promossas coloridas de uma realidade mais brilhante lá fora.
Uma vez que ele decidiu ficar de fora, a porta se fecha. As cortinas se fecham.
E vossa personagem constata mais uma vez que que ilusionistas são exatamente o que prometem ser, ilusionistas, e que o melhor mesmo é manter todos eles do lado de fora.

segunda-feira, 9 de março de 2009

As coisas mudam, mudam e, no fim, não mudam tanto assim.

Antes eu estava uma bagunça.
E veio o carnaval.
E eu achei que algumas coisas tinham sido resolvidas, e que realmente era melhor ser alegre que ser triste.
Mas aí percebi que a essência não aceita disfarce, que os sentimentos nunca permanecem escondidos e, quando me dei conta, já tinha desejado que um momento durasse pra sempre.
E vieram as lágrimas, como se elas nunca tivessem ido embora.
É melhor ser alegre, o que não quer dizer que é mais fácil.
Depois, bom, eu ainda estou uma bagunça.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Let's just face it: I'm a huge mess!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Geração 'clueless'

Em conversa com alguns amigos numa madrugada produtiva, percebi que minha geração pode estar um pouco perdida no que diz respeito a relacionamentos, isto porque chegamos à conclusão de que não temos um padrão de regras sociais que guiem nosso comportamento.
Por exemplo, até meados do século XX, as regras eram bastante claras: as pessoas namoravam em casa, na presença da família, e com intenção de se casarem; sexo era o tabu definitivo; a sociedade era machista por definição e o papel da muher era basicamente cuidar da casa, dos filhos e do marido.
No fim dos anos 60 tivemos a 'queima de sutiãs' (que não foram queimados de verdade), onde mulheres questionaram a visão arbitrária dos padrões de beleza, considerados opressores, e esta 'revolução' foi logo associada à liberação sexual feminina. Nesta época houve a popularização do movimento feminista, onde as muheres queriam ser consideradas iguais aos homens, na política, no mercado de trabalho, no ambiente familiar etc.
Nos anos 70 conhecemos o 'f'lower power', onde os hippies cultuavam a paz e o amor, levando a questão da liberdade sexual até as últimas consequências. Aqui a regra era a total ausência de regras, mas, apesar disso, ainda contávamos com uma estrutura patriarcal rígida que não incentivava esse comportamento.
Hoje, depois das constantes mudanças nas regras sociais, temos uma geração que não sabe mais quais regras seguir - na verdade, que não sabe nem se ainda há regras pra serem seguidas. Acredito que se pode dizer inclusive que os papéis sociais do homem e da mulher estão sujeitos a uma rediscussão permanente.
Como disse o filósofo Gilles Lipovetsky, "o novo não reside no aparecimento de um universo unissex, mas em uma sociedade aberta, em que as normas, plurais e seletivas, são acompanhadas de estratégias heterogêneas, de margens de liberdade e de indeterminação", mas, apesar dessa indeterminação, ainda há a permanência da supervalorização do amor por parte da maioria das mulheres. E, em bom português, isso fode tudo.
É difícil encontrar, em uma sociedade teoricamente desregrada quanto a comportamento romântico (romântico?), alguém que corresponda às suas expectativas, exatamente porque as expectativas não são um senso comum. Hoje existe uma vontade incontrolável de seguir o carpe diem, e, aparentemente, aproveitar a vida e se relacionar com alguém de uma maneira mais profunda é uma questão paradoxal.
Eu sei que, sendo como sou, estou numa época bastante confusa, porque não sei se continuo acreditando no sexo oposto, se continuo tendo expectativas quanto aos homens e se coninuo tentando entendê-los ou se simplesmente os declaro um caso perdido.
E, pra ser sincera, a última opção está se tornando cada dia mais inevitável.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Válvula de escape

Nesses dias em que o calor me tira do sério (e não há janelas abertas que diminuam a sensação de sufocamento), em que ler um livro está fora de cogitação, em que não há nada pra jantar, em que a angústia e a ansiedade tomam conta do meu corpo de um jeito que não é possível controlar, em que ver os seus amigos não te deixa melhor nem mais feliz, em que o possível programa não acontece, em que não há nada passando na televisão, em que o seu time está perdendo de virada, em que a sua família sai pra jantar num dia gostoso pra comer na varanda de um restaurante aconchegante, em que voce se sente absolutamente sozinha, sem colo nem cafuné, é que se dá importância pras pessoas que estão sempre lá, não importa seu humor.
Acho q eu estou carente de carinho, e com saudades de casa.. =/

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Suddenly she didn't know what to do. She didn't see it coming.
She thought she had everything: lots of good friends, lots of things to do, an agenda full of appointments, a supportive family and a job that made her happy.
But it took just one empty day, where she was all by herself, to see that something was missing.
Just one lonely dnner with a surprising soundtrack.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Últimos minutos

Faltam alguns minutos pra 2008 acabar.
Hoje eu pensei sobre muitas coisas que passaram, pessoas, situações, coisas, sentimentos, desejos etc., e, talvez pelo clima chuvoso, talvez pela trilha sonora que embalou o dia (pretty much cake and arctic monkeys), talvez pelo sentimento nostálgico que tem me envolvido há algum tempo, talvez por tudo isso junto, eu posso dizer que não adiantou ter desejado tanto que o ano acabasse, porque o recomeço não está no primeiro minuto de um ano novo, e a desesperança não fica no último minuto do ano anterior. O recomeço está dentro de nós mesmos, medido exatamente por quanto desejamos mudar situações que nos foram desagradáveis no período anterior, seja este período um minuto, um dia, um mês ou um ano.
Posso dizer que, apesar de tudo, este foi um bom ano, pois, apesar de todas as crises iniciais, o segundo semestre trouxe surpresas e resoluções agradabilíssimas.
Espero que o ano que está pra começar possa me fazer muito mais feliz, possa me ensinar a lidar com situações que eu ainda não domino e que me traga, principalmente, frio na barriga, porque eu descobri que este, o sentimento causado pela expectativa, é o principal motor da minha força pra acordar e buscar coisas melhores todos os dias.
Por isso, obrigado 2008, por toda a experiência proporcionada, e pela possibilidade de poder crescer.
E fica aqui as boas-vindas para 2009. Que ele seja melhor que o ano que está acabando e não tão bom quanto o que está por vir!